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Caxienses recorrem a trabalho em aplicativos de entrega para obter renda extra

Mateus Frazão - 08/May/2019
Falta de empregos na cidade nos últimos anos é dos fatores que levaram diversas pessoas a virarem entregadores de plataformas digitais

 

Para motociclistas, o Uber Eats surge como uma oportunidade de emprego, fenômeno semelhante exercido pelo aplicativo original, o Uber, voltado ao transporte de passageiros. 

Deyvinson Vidal, 25 anos, que desde ano passado estava desempregado, decidiu buscar um alívio na sua situação financeira por meio do serviço.

– Eu estou gostando, faço meu horário, não tenho patrão e dá para tirar um bom dinheiro em alguns dias. Limpo, consigo uns R$ 300  (por semana). Para quem está sem nenhuma opção, é um alívio – comenta. 

 

Além de atuar no Uber Eats, ele trabalha também com o iFood. Ainda assim, constata que é com o Uber Eats que consegue a maior parte do lucro. 

– Não descarto a possibilidade de querer voltar à minha área (informática) eventualmente, mas o Uber Eats é o que está me dando retorno atualmente – ressalta.

Deyvinson relata que atua simultaneamente nos dois aplicativos há cerca de dois meses.

Pouco retorno

Se para muita gente, trabalhar com serviços oferecidos por aplicativos se tornou uma fonte de renda lucrativa, para o mecânico Wilson Bridi, 60 anos, a experiência não tem sido tão positiva. 

Morador do bairro Exposição, ele utiliza a bicicleta para fazer entregas e, embora considere a atividade proveitosa fisicamente, o retorno financeiro não está acontecendo da maneira que esperava.

– O médico pediu para eu fazer atividade física. Comecei a andar de bicicleta há uns dois anos. Aí ouvi falar do Uber Eats e, como estou num emprego temporário, decidi fazer essa renda extra. Mas estou ganhando muito pouco – relata, informando que chega a faturar no máximo R$ 50 por dia, em dias em que há tarifa dinâmica, que podem multiplicar o valor da viagem em até três vezes.

Apesar de a bicicleta apresentar vantagem por não gerar custos de manutenção e combustível, a menor agilidade e o alcance reduzido fazem com que o lucro de motociclistas seja maior, pelo volume de viagens.

– A bike tem uma área limitada. A moto faz a cidade toda. Enquanto a moto faz 10 viagens, a bike faz uma. Mas pretendo aumentar meu horário de trabalho para tentar ganhar mais – afirma Bridi.

Trabalho informal

A movimentação mais acentuada de entregadores – ou motoboys –  é perceptível nas ruas de Caxias. Atualmente, a Secretaria Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade contabiliza 458 motofretistas cadastrados. O número, entretanto, representa apenas uma parcela do contigente de condutores que desempenham atividades remuneradas utilizando motocicletas na cidade. A maior parte, portanto, atua de forma clandestina, uma vez que há legislação que obriga a regularização de motofretistas em Caxias.

– A gente percebe que esse número vem crescendo, mas não tinha expectativa que essa parcela (mais recente) viesse se cadastrar, uma vez que os aplicativos atuam numa brecha da legislação – comenta o secretário de Trânsito, Cristiano de Abreu Soares.

O sistema Uber Eats prioriza a entrega por motocicletas, depois bicicletas e, caso não haja nenhum dos dois disponíveis, veículos são demandados. Tanto para motocicletas quanto bicicletas, cada viagem rende R$ 3,50 aos entregadores. Para automóveis, o lucro por viagem é de R$ 20. 

Apesar da preocupação com o crescimento da atividade clandestina, Soares de Abreu afirma que acidentes e irregularidades de trânsito que envolvem motociclistas raramente têm participação de motofretistas.

Fonte: mateus.frazão@pioneiro.com

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